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#148 - Sean Baker, adolescência, cadeiras e cadeiras, muitos drinks e a história por trás dos grandes nomes!

Guia EYN

Edição #148

Guia autêntico de cultura & experiência com indicações valiosas, que valem o seu tempo, do que ler, assistir, visitar, comer, experimentar e comprar.

Mubi

Do mesmo diretor de Anora: a vida como das mulheres trans em meio ao “luxo” de Los Angeles

Tangerine não é só um filme, é uma descarga elétrica no cinema indie. Filmado inteiro com um iPhone e montado na pulsação caótica das ruas de LA, o longa de Sean Baker joga você direto na jornada insana de duas mulheres trans na véspera de Natal—e esqueça qualquer tom melodramático ou paternalista. Aqui, o realismo é sujo, rápido e barulhento, com diálogos que cortam como navalha e uma energia que parece tirada direto das calçadas rachadas de Hollywood. É uma história de amizade, vingança e sobrevivência, mas, acima de tudo, é um manifesto visual que prova que cinema independente não precisa ser frio ou calculado. Adianto que Tangerine transpira vida, corre solto sem medo de tropeçar e redefine o que significa contar histórias fora do sistema.

Netflix

A adolescência nunca foi tão brutalmente honesta na TV

A nova minissérie, Adolescence, não é apenas um drama criminal, mas um estudo visceral sobre lealdade, moralidade e o peso insuportável da dúvida. Com apenas quatro episódios, a produção entrega uma narrativa sufocante, onde cada decisão parece carregar o peso de uma vida inteira. Filmado com a ousada técnica de planos-sequência, sem cortes aparentes, a série mergulha o espectador na tensão crua da história, criando uma experiência quase claustrofóbica. Um retrato absurdamente real da geração que cresce sob holofotes digitais e expectativas sufocantes. O elenco é outro ponto forte, com Stephen Graham e Owen Cooper entregando atuações incríveis. O realismo e a intensidade das performances, ecoam temas contemporâneos como violência juvenil e a fragilidade do sistema de justiça. Um thriller psicológico para ser sentido, discutido e, acima de tudo, absorvido

Han Kang e a poética dos adeus inacabados

No premiado "Sem Despedidas", Han Kang transforma o silêncio em protagonista. A vencedora do Nobel 2024 esculpe, com precisão cirúrgica, um universo onde o não-dito pesa mais que mil palavras. Entre fragmentos de memória e vazios que ocupam espaço, a autora sul-coreana nos apresenta personagens que carregam ausências como amuletos invisíveis. Não há aqui grandes cenas de adeus - apenas o eco persistente do que nunca foi pronunciado. Kang nos lembra, em sua prosa cristalina e cortante, que as verdadeiras despedidas são aquelas que continuamos ensaiando para sempre, sem jamais concluí-las.  Entre o real e o etéreo, a autora entrega uma história que não se contenta em ser lida—ela se infiltra, fica e transforma.

Podcast

A história por trás dos grandes nomes

The Unusual Suspects é um podcast em que Kenya Barris e Malcolm Gladwell se juntam para explorar as histórias de pessoas que alcançaram grandes feitos em áreas como entretenimento, negócios e política. Com um elenco de convidados tão variados quanto Dr. Dre, Ava DuVernay e Sue Bird, o podcast mergulha em conversas profundas sobre o que realmente significa ter sucesso. Barris, com sua habilidade de entender as pessoas em tempo real e, Gladwell, com sua análise meticulosa, formam uma dupla dinâmica que vai muito além dos clichês sobre grandeza. O resultado é uma jornada única que explora como cada caminho para o topo é diferente, mas igualmente fascinante.

Álbum

Jazz, com pop e um vibe de verão


Reencontrei Women in Music Pt. III esses dias e, cara, ainda me impressiona como esse álbum é direto ao ponto – sem enrolação, sem frescura. É puro Haim: emocional, honesto e, ao mesmo tempo, aquele tipo de som que te faz querer sair por aí quebrando tudo. Esse álbum tem uma vibe única, tipo uma conversa com a sua versão mais real, sem máscaras. E o melhor de tudo? Elas estão vindo com algo novo em breve. Já estou pirando só de pensar no que vai vir.

Sentar é um ato revolucionário

No coração agitado de São Paulo, a Galeria Metrópole está causando um verdadeiro rebuliço no mundo do design. Esta não é só mais uma exposição de cadeiras - é um convite para repensarmos objetos que usamos todos os dias sem dar a menor atenção. As cadeiras brasileiras em exibição não estão lá apenas para serem admiradas. Cada uma conta uma história e provoca aquela pergunta inevitável: por que diabos eu me contento com aquela cadeira sem graça na minha casa? A Cadeira Rio de Sérgio Rodrigues, por exemplo, é mais que um lugar para descansar. É um pedaço vivo da história do design brasileiro, algo que fala tanto sobre quem somos quanto qualquer obra de arte nas paredes de um museu. 

O legal dessa exposição é como ela mistura o útil com o bonito. Estas não são peças intocáveis - são cadeiras feitas para serem usadas, mas tão bem pensadas que merecem ser contempladas. Combinam madeiras brasileiras com técnicas modernas numa mistura que só poderia nascer aqui, entre o caos urbano e a natureza exuberante que define nosso país.

As cadeiras expostas têm essa coisa única: servem perfeitamente ao seu propósito básico, mas nunca se contentam em ser apenas funcionais. Elas têm personalidade, atitude, um jeito de ocupar espaço que faz toda a diferença num ambiente. Este é o último fim de semana da exposição, então corre! Quem sabe você não sai de lá vendo o mundo com outros olhos? No mínimo, vai fazer você olhar para as cadeiras da sua casa com uma nova perspectiva - e talvez planejar algumas mudanças urgentes na decoração.

Quando: até 23.03.2025
Onde:  Avenida São Luís, 187, loja 14, 3º piso, República.
Entrada gratuita

Reflexões sobre o fim do mundo

A Pinacoteca está com uma exposição que vai te fazer repensar tudo o que você sabe sobre céu e terra. "Era Uma Vez – Visões do Céu e da Terra" é daquelas mostras que não se limitam ao básico. Ela mistura passado e futuro com uma visão surreal, misturando arte contemporânea e tradição de um jeito que você não vê todo dia. O nome pode até soar clichê, mas não se engane: aqui, cada obra carrega um peso histórico e conceitual que atravessa barreiras culturais. Artistas brasileiros e internacionais apresentam interpretações únicas sobre nossa existência planetária, expandindo os limites convencionais de pintura e escultura, encarando o futuro com a mente aberta. Se você acha que arte é só para quem entende, essa exposição vai mudar sua cabeça.

Quando:  até 21.04.2025
Onde: Pina Contemporânea. Avenida Tiradentes, 273, Luz, São Paulo.

Confira os nossos guias de cidade pelo mundo!

Sabor sem susto!

O Sult não está aqui para brincadeira – e o prêmio de Melhor Custo-Benefício no Rio Show de Gastronomia 2022 só prova o que quem frequenta já sabe: comer bem não precisa custar um rim. Botafogo já tem seus hotspots, mas poucos entregam a mesma combinação de comida impecável, ambiente despretensiosamente cool e uma carta de vinhos que não te faz repensar a conta no fim da noite. No comando da cozinha, o chef Nelson Soares segura a bronca e acerta em cheio. Entre os pratos principais, o fettuccine com sururus que vêm direto do Recife e o fregola com polvo e tutano fazem o tipo de comida que gruda na memória – e no desejo de voltar. Para quem quer jogar seguro, a milanesa de vitelo com purê de cará roxo é a aposta certa.

Onde: Rua Fernandes Guimarães, 77 Botafogo. RJ.

Caso Bar: onde cada drink é um caso de amor

No universo paralelo que é o Caso Bar, copos não são meros recipientes, mas portais para dimensões sensoriais inexploradas. A coquetelaria aqui não segue manuais – ela os reescreve com a audácia de quem conhece as regras apenas para ter o prazer de quebrá-las. A carta de coquetéis parece saída de um manifesto contra o previsível – uma declaração em alta voz de que a normalidade é um pecado que este bar se recusa a cometer. Entre as apostas mais ousadas, tem o Coração de Cavalo – mistura de rum, xarope de maçã verde e gengibre que te dá aquele toque refrescante e picante, tudo na medida certa. O Tropical Dilemma também é uma escolha que não decepciona. Uma proposta de drink refrescante, mas com um twist de especiarias. No cardápio, o foco é a comida de raiz, mas sem perder a sofisticação. Os pratos vão do simples ao ousado, e a mistura de ingredientes parece sair direto de um brainstorming criativo.

Onde: Rua Marcos Azevedo 66 - Pinheiros. SP

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