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#171 - EYN Convida: Joana Munné

🥜📮 o que a sala de um restaurante pode ensinar sobre o mundo


#Edição 171

Se a gastronomia é uma linguagem universal, Joana Munné domina seus sotaques com maestria. Catalã de origem e brasileira por escolha há mais de duas décadas, ela construiu pontes entre cozinhas, culturas e histórias. À frente da Agência Síbaris, Joana desenha narrativas e conexões que não apenas impulsionam restaurantes e chefs no cenário internacional, mas também revelam o poder da escuta atenta e da coerência em um mercado marcado por modas passageiras.

Com um olhar sensível às particularidades de cada território, ela ajudou a projetar para o mundo alguns dos nomes mais relevantes da cozinha latino-americana, sempre com uma abordagem feita sob medida — da estratégia de comunicação à curadoria de experiências. Seu trabalho está presente nos bastidores de projetos que figuram entre os melhores do planeta nas listas do The World’s 50 Best Restaurants, Latin America’s 50 Best e 50 Best Bars.

Hoje, Joana é referência para quem deseja ampliar horizontes sem perder a identidade. Mais que comunicação, ela cultiva relações de longo prazo — entre chefs, jornalistas, curadores e o público — reforçando o lugar da cozinha latino-americana no mapa global da gastronomia.

Qual superpoder você gostaria de ter

Gostaria de ser um pássaro para poder abrir as asas, voar e ver o mundo do alto. Imagino que isso traga uma sensação de liberdade única. Todos deveríamos ter o direito de ser livres.

Um conteúdo (artigo/post etc…) que a inspirou recentemente? 

Recentemente li sobre Alice Walton, herdeira do Walmart e uma das mulheres mais ricas do mundo, que decidiu usar seu poder de impacto para transformar a educação em saúde. Ela fundou a Alice L. Walton School of Medicine (AWSOM) em Bentonville, Arkansas, com a proposta de revolucionar a formação médica nos EUA e no mundo. O artigo destacava sua ênfase em medicina preventiva, saúde integral e bem-estar comunitário — pilares que mostram uma visão muito além do modelo tradicional. Mais inspirador ainda: ela garantiu matrícula gratuita para as cinco primeiras turmas de estudantes, um gesto que reforça seu compromisso em tornar essa mudança realmente acessível.

Entrada da Faculdade de Medicina Alice L. Walton Timothy Hursley
© Faculdade de Medicina Alice L. Walton

O que a sala de um restaurante pode ensinar sobre o mundo?

O simples — e profundo — ato de acolher alguém. Sempre me gratificou essa sensação: receber, cuidar, abraçar. Para mim, uma sala é como um palco de teatro: nela podemos criar uma magia, dar contexto a um ambiente e conectar tudo à proposta culinária. Acredito que a sala seja tão ou até mais importante que a própria cozinha.

Uma lição que aprendeu trabalhando com chefs — e que leva para a vida

Aprender a ler mentes, lidar com egos e, sobretudo, reconhecer as inseguranças que fazem parte de todo ser humano. Trabalhar com chefs de cozinha me ensina diariamente. Gosto de acompanhar o crescimento das carreiras, as trajetórias profissionais com seus erros, acertos e aprendizados. Me sinto privilegiada por estar ao lado de cozinheiros — curto e vivo intensamente este setor.

Um livro que vale a pena ler

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“Quebrando o Hábito de Ser Você Mesmo: Como Reconstruir sua Mente e Criar um Novo Eu”, de Joe Dispenza. Leiam, muda muito a nossa forma de pensar, você pode aplicar na vida, para viver melhor, com mais inteligência. 

Um hábito que te ajuda a escutar melhor o mundo

Contemplar a natureza.

Uma viagem que mudou a forma como você entende a gastronomia

Pergunta difícil. Não tenho uma viagem que mudou minha forma de entender a gastronomia. Tenho viagens que me marcaram muito, como a Índia, o Vietnã e a Tailândia. A forma de entender a gastronomia é minha criação, onde nasci, na Catalunha, minhas raízes, costumes e hábitos. Até agora nenhuma viagem conseguiu mudar minha essência. 

Um podcast que vale a pena ouvirrecentemente

O Rádio Tuju Pesquisa, é imperdível para quem se interessa por gastronomia. O programa traz grandes vozes do setor e mergulha em temas que vão muito além da cozinha: crítica gastronômica, gastronomia social, culinária brasileira e seus desdobramentos culturais. Um espaço rico de reflexão e troca para quem vê a comida como parte essencial da sociedade.

Se pudesse jantar com duas personalidades históricas, quem escolheria?

Mahatma Gandhi, líder espiritual e ativista indiano que sempre admirei pela resistência não violenta, pela luta pela liberdade e pelos direitos civis. Martha Graham, dançarina e coreógrafa norte-americana que revolucionou a dança moderna. Como bailarina, sigo praticando a técnica Graham até hoje, e tenho a curiosidade de imaginar como era o espírito dela.  

Uma palavra que resume a hospitalidade

Amor ao próximo.

Um chef que te inspirou de forma definitiva

Andoni Luis Aduriz, do restaurante Mugaritz no País Basco — um verdadeiro intelectual da cozinha, considerado um dos chefs mais disruptivos do mundo.

Se a Síbaris fosse um prato, qual seria?

Um camarão vermelho de Palamós, espécie típica da Costa Brava (Espanha), muito conhecido por sua carne firme, fina e de sabor intenso, mas que exige coragem para chupar sua cabeça sem medo afim de saborear sensações diferentes. A Síbaris seria esta cabeça, desafiante, corajosa, disruptiva.

Uma conta do Instagram que vale a pena seguir 

A da psicóloga, educadora e terapeuta sexual @anacanosa, um perfil essencial para mulheres que desejam conhecer melhor o próprio corpo, falar de sexualidade sem tabus e cultivar autoconhecimento.

Uma questão existencial que te acompanha há tempos…

O autoconhecimento. Desde a minha separação, há seis anos, venho aprofundando esse diálogo comigo mesma — entendendo quem eu sou, o que quero e como posso evoluir. Quero ser uma pessoa melhor.

Um filme que vale a pena assistir

O que a gastronomia brasileira tem que o mundo ainda não entendeu

Porque vocês acham que o mundo ainda não entendeu a gastronomia brasileira? O Alex Atala, um dos chefs mais reconhecidos do mundo, mostrou, em 2005, no Madrid Fusión, congresso mais importante da Espanha, ingredientes como o tucupi, o palmito pupunha e o feijão de Santarém. Na plateia, chefs como Ferran Adriá e Juan Mari Arzak se interessaram pelo Brasil e pela nossa Amazônia. O Brasil é um país instigante do ponto de vista gastronômico. Quem entende e estuda as culturas das cozinhas do mundo sabe disto.

Um restaurante que representa um pedaço da sua alma

O L’Ou de Reig (@hostaloudereig), em Montseny, perto de Barcelona, na Catalunha. É o restaurante da minha mãe, o lugar onde cresci e onde aprendi o ofício da sala e da hospitalidade. Foram 12 anos trabalhando todos os finais de semana da minha vida.

O que você procura primeiro quando chega a uma nova cidade

Uma cafeteria de cafés especiais e uma boa boulangerie.

O sabor mais inusitado que já provou — e onde 

O tucupi, produzido pelo processo de fermentação natural da mandioca brava. Ele é rico em umami e tem uma acidez suave, natural, que lembra um pouco o gosto de alimentos como missô ou kimchi. Além disso, é levemente adstringente, especialmente quando usado puro ou muito concentrado, e tem um gosto vegetal, terroso e levemente amargo, que lembra raízes e terra molhada. Além de ser um produto emblemático na culinária amazônica e exemplificar bem a versatilidade da mandioca, um dos mais importantes ingredientes na história da alimentação do Brasil. 

Um destino que está no topo da sua lista só por causa da comida

O México. Amo as cozinhas mexicanas e me fascina a forma como o país cultiva uma verdadeira relação de devoção com o ato de comer.

O que nunca falta na sua mala quando viaja

Perfume, sou viciada.

O único artista cujo trabalho você colecionaria se pudesse…

teria uma obra de Mira Schendel — a artista plástica brasileiro-suíça considerada um dos grandes expoentes da arte contemporânea no Brasil.

Vista da instalação, “Mira Schendel”, Tate Modern, Londres, 2013–2014. Foto: Tate Photography

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