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#188 - Supermercados em guerra, o tempo, cafés, pausas necessárias e mais!

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Edição #188

Uma semana mais interessante costuma nascer de escolhas pequenas. Essa seleção é menos sobre ocupar a agenda e mais sobre afinar o jeito de atravessar os dias. Escolha uma, desacelere o resto e deixe o fim de semana fazer o trabalho dele.

Quando o mercado vira campo de batalha

Disponível na Mubi

Supermarket Woman (1996), do diretor japonês Jūzō Itami, mistura comédia e romance para contar uma história que parece simples, mas diz muito sobre competição, consumo e sobrevivência. O filme acompanha uma funcionária contratada para salvar um supermercado falido em meio a uma guerra silenciosa contra o rival local. O filme se passa entre prateleiras, estratégias de venda e pequenas disputas cotidianas e é justamente aí que mora o charme. Um detalhe curioso: a atriz protagonista é esposa do diretor.

Urgência como rotina

Disponível na HBO MAX

A série The Pitt transforma a sala de emergência em um território de resistência contínua. Ambientada em um hospital de Pittsburgh, a série acompanha médicos e enfermeiros durante um turno por episódio. Com a segunda temporada recém-lançada, o ritmo agonizante agora é ainda mais intenso. Dessa vez, menos plot twists e mais da exaustão cotidiana, presente nos silêncios e pequenos gestos que mantêm tudo em pé. Entre macas, alarmes e corredores lotados, o drama encontra força justamente no ordinário levado ao limite.

Uma viagem no tempo

Trilogia de Copenhagen, de Tove Ditlevsen, reúne três livros autobiográficos, Infância, Juventude e Dependência, em um mergulho profundo na formação de uma escritora em conflito constante com as expectativas impostas a uma mulher de classe trabalhadora. É uma leitura que atravessa desejo, vocação, limites e sobrevivência emocional, com uma honestidade que não suaviza nada. Indicação certeira para os fãs de Annie Ernaux.

A visita cruel do Tempo

Vencedor do Pulitzer de Ficção, o romance de Jennifer Egan intitulado A Visita Cruel do Tempo acompanha personagens marcados por rupturas, memórias e expectativas que nunca se alinham totalmente. A relação entre um executivo e sua assistente cleptomaníaca serve como fio condutor para uma narrativa fragmentada, que salta no tempo e continua ecoando muito depois da última página.

Reflexões à mesa

Comer, rezar, gentrificar. O título já entrega o tom deste episódio de Prato Cheio. Nele, a comida vira ponto de partida para discutir gentrificação, turismo e as consequências das nossas escolhas alimentares. O episódio conecta prato, território e poder nos convidando a pensar melhor sobre o que colocamos no prato e o como isso transforma o nosso redor.

Novos reinos se revelam

Na Pinacoteca Potiguar, em Natal, a exposição Reinos do Imaginário, de Azol, transforma memórias, fé e mitologias do Nordeste em paisagem sensorial. Inspirada por lendas locais e pela obra de Ariano Suassuna, a mostra cria um universo que mistura sertão, sonho e identidade, convidando o visitante a atravessar camadas de pertencimento e imaginação.

Onde: Pinacoteca Potiguar, Palácio Potengi, Natal
Quando: em cartaz até 31 de janeiro

Força que vem da Floresta

Na Japan House, em São Paulo, a exposição Mestres da carpintaria: habilidade e espírito lança luz sobre a tradição japonesa de respeito absoluto à natureza. A mostra apresenta o trabalho dos dōmiya daiku, mestres carpinteiros responsáveis por templos e santuários, e dos sukiya daiku, especialistas na construção de casas de chá. Mais do que técnica, é uma aula sobre tempo, precisão e escuta da matéria-prima.

Onde: Japan House, em São Paulo
Quando: em cartaz até 5 de abril

Vivendo e planejando

Ainda em clima de Ano Novo, este aplicativo tem uma proposta simples, mas ousada: visualizar a vida inteira em semanas. Life in Weeks é feito com quadrados, cada um representando um pedaço do tempo para nos auxiliar a ver ciclos, fases e caminhos percorridos. Dá para marcar eventos importantes, acompanhar o progresso ao longo da vida e compartilhar sua própria linha do tempo. Um convite silencioso, e nada ansioso, para olhar o passado e pensar o futuro.

Natureza no centro

Com três unidades no Rio de Janeiro, o SO_Lo Café aposta em uma proposta orgânica, local e sustentável. O menu passa por mingau de aveia, waffles, poke e ovos no purgatório, sempre com atenção aos ingredientes e ao processo. Um endereço para quem gosta de comer bem sem pressa e onde veganos, também, encontram boas opções.

Um mergulho analógico

O café-galeria-loja Rádio Cultura, em São Paulo,  parece ter parado no tempo, no melhor sentido. Equipamentos dos anos 70 e 80, prateleiras cheias de discos e uma curadoria musical que conecta América do Sul e Japão criam o clima ideal para um café sem pressa, com boa música e aquela sensação rara de estar exatamente onde se deveria estar.

Da tradição, para o prato

Com influência da culinária árabe, judaica e mediterrânea, Sová, do hebraico ‘fartura’, é o novo restaurante judaico em São Paulo. Entre café da manhã, brunch e almoço é possível se deliciar com combinações icônicas e tradicionais, como sanduíche de pastrami, bagel com salmão defumado e berinjela com tahine. 

Tenho frequentado e indicado o Gruta, no Porto, há anos. Sempre foi motivo de orgulho — pela influência brasileira no cardápio e por um amigo da universidade estar à frente do projeto — além de oferecer uma experiência deliciosa e íntima. Em contraste com o movimento intenso da rua de Santa Clara, o restaurante tem atmosfera acolhedora, equipe (majoritamente feminina!) competente e carismática, e uma cozinha gostosa e inventiva.

É um restaurante intimista, dedicado a peixes e frutos do mar com uma carta de vinhos impecável. Ao voltar depois de dois anos, o Gruta conseguiu me surpreender. Sob a condução da chef Caroline Giandlia, eleita Chef do Ano 2025 pela Revista Nit, a casa se consolida com um menu autoral, de pratos cheios de frescor, afeto e identidade.

Na visita, não deixe de pedir o crudo de corvina, a vieira com tucupi e tangerina, a moqueca de peixe e a corvina com açaí e castanhas. De sobremesa, mandioca com cocada morena e queijo coalho grelhado com mel e, claro, um vinho do Porto.

Que delícia!

Veja o nosso guia local do Porto e acompanhe o nosso Instagram para a próxima edição na cidade, curada pela equipe do Gruta.

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