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#189 - EYN Convida: Camila Yunes Guarita

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Edição #189

Camila Yunes Guarita é fundadora e diretora-geral da Kura, consultoria de arte pioneira no Brasil, criada para aproximar colecionadores, artistas e instituições de forma inteligente e sensível. Arquiteta formada pelo Mackenzie e pela École Nationale d’Architecture Paris Val de Seine, construiu sua trajetória entre São Paulo e Paris, onde aprofundou seu olhar sobre arte e mercado com especializações na Sotheby’s, passando por temas como arte contemporânea, funcionamento do sistema da arte e história da arte.

Entre 2015 e 2018, foi cofundadora da GoART Art Advising. Hoje, atua como VIP Representative das feiras ARCO Madrid e Lisboa e é curadora de arte da Numéro Brasil, transitando com naturalidade entre o circuito internacional e a cena brasileira.

O que significa “ser criativo” em um mundo cada vez mais automatizado

Ser criativo hoje é saber fazer boas perguntas, não apenas produzir respostas. A criatividade está menos na execução e mais na visão.

Uma conversa que mudou sua forma de pensar sobre arte

Impossível citar apenas uma conversa. Muitas obras me ensinaram sobre o tempo e elas pedem convivência. Isso mudou meu olhar: arte não é consumo rápido, é relação.

Uma tecnologia que te inspira — e outra que te preocupa

Sou muito a favor da inteligência artificial quando ela amplia processos, acesso e desenvolvimento de ideias para um público maior, como o que o vibe coding tem feito ao democratizar a criação de softwares. Me preocupa quando substitui o pensamento crítico ou a sensibilidade, em vez de dialogar com eles.

Um livro que vale a pena ler

A elegância do ouriço. O que ficou foi uma sensação silenciosa de reconhecimento. A ideia de que profundidade, inteligência e sensibilidade muitas vezes habitam lugares invisíveis e que o mundo raramente olha com atenção para quem não se anuncia. A personagem da Renée, com sua erudição escondida e uma delicadeza quase secreta, ficou comigo como um lembrete. Há uma elegância que não precisa de validação externa.

Uma palavra que define o futuro da Kura

“Mundo”, para a Kura, é antes de tudo um conceito simbólico e cultural e só depois geográfico. Claro que penso em expansão, circulação internacional e diálogo com outros territórios. Mas penso, sobretudo, em traduzir o Brasil para o mundo de forma sofisticada, sensível e verdadeira. E também em trazer o mundo para o Brasil sem filtros colonizados ou hierarquias automáticas. A Kura pode oferecer algo que ainda falta. Um olhar que une curadoria, escuta, contexto e afeto. Não apenas indicar obras, mas construir sentido, criar pontes e formar repertório. Menos sobre tendência, mais sobre permanência.

Uma obra que mudou sua forma de pensar o mundo

Não foi uma obra específica, mas a minha conexão diária e profunda com a arte. Foi a convivência contínua com a arte que moldou meu olhar. Mas, se eu tivesse que citar referências, seriam A Dança, de Matisse, e toda a obra de James Turrell.

Um espaço arquitetônico que te emociona

A Capela Sistina.

O que muda no olhar quando se entende profundamente “como o mundo da arte funciona”

A consciência de que é preciso estar em constante atualização.

Onde termina a curadoria e começa o mercado, ou eles nunca se separam

Eles são complementares, justamente porque se tensionam. O olhar curatorial aprofunda, contextualiza, protege o sentido. O mercado dá escala, circulação e permanência material às ideias. No meu dia a dia, o olhar curatorial fala mais alto, mas ele não ignora o mercado. Pelo contrário, entende suas regras para não ser engolido por elas. A ideia de uma curadoria totalmente isolada do mercado é romântica. O desafio real é outro. Como evitar que o mercado empobreça o discurso? Como fazer com que ele amplie, e não limite, a potência simbólica da obra?

O que torna uma obra relevante hoje, para além do hype

Sua capacidade de atravessar o tempo.

Uma causa que está em meu coração

A arte como ferramenta de autoconhecimento e transformação de si e do entorno.

Um artista ou cena que você acompanha com atenção especial

Amo a cena brasileira.

O que o Brasil oferece de único no campo da arte contemporânea

Diversidade em abundância.

Um filme que vale a pena assistir

Manas. Um filme que trata de realidades duras e urgentes a partir de uma linguagem sensível, sem espetacularizar a dor. É arte porque nos aproxima de fatos reais de forma profunda, humana e complexa, diferente de uma notícia lida em cinco minutos.

Que tipo de experiência artística você busca construir através da Kura

Experiências que te tirem do lugar que você já conhece.

Uma pergunta que você ainda se faz diante de uma obra

Eu só escuto e observo.

Um sonho recorrente — literal ou metafórico

Que eu pudesse parar o tempo, porque tal feito seria poder habitar plenamente o presente. Sem a ansiedade do próximo passo, da próxima entrega, da próxima expectativa. É o desejo de permanecer no instante em que tudo está inteiro. O afeto, a criação, a escuta, o corpo. Talvez seja menos sobre controlar o tempo e mais sobre viver com presença.

Seu lugar favorito em São Paulo

Meu marido, mas fora isso, fui recentemente ao Lina e adorei.

Que pergunta você gostaria que fizessem mais

Quais foram e quais são os maiores desafios de criar e fazer crescer a minha empresa.

Uma frase que vale repetir

Intenção e presença mudam tudo.

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