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#191 - EYN Convida: Petria Chaves

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Edição #191

Petria Chaves é jornalista e escritora, daquelas que transformam conversa em pensamento e entrevista em ferramenta de leitura do mundo. Há mais de 20 anos na Rádio CBN (Grupo Globo), ela apresenta o Revista CBN, programa diário em rede nacional que cruza política, tecnologia, comportamento, saúde, ciência, filosofia e espiritualidade, sempre com escuta afiada e perguntas que vão além da superfície.

Ao longo da trajetória, construiu diálogos com algumas das vozes mais relevantes do país, como Rossandro Klinjey (saúde mental), Cau Saad (saúde física), Silvio Meira (tecnologia) e Marco Ruediger (política e democracia). Foi duas vezes vencedora do Prêmio APCA e recebeu o Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo pela série Lixo eletrônico: o paradoxo da modernidade.

Petria também está na interseção entre jornalismo, educação e futuro: criou, em parceria com o Jornal Joca, o Revisteen CBN Joca, primeiro podcast de notícias para crianças e jovens no Brasil, voltado à alfabetização digital. No History Channel, apresentou o documentário A verdade da mentira, investigando o impacto da inteligência artificial e das redes sociais nas eleições brasileiras de 2018.

Em 2022, foi condecorada pelo Tribunal Superior Eleitoral com a Medalha Assis Brasil, por sua contribuição à democracia. É autora de Escute teu silêncio e Como sei o que sei, livros que refletem sua marca registrada: escutar o mundo com profundidade para entender melhor a nós mesmos.

Qual foi o primeiro momento da sua vida em que você percebeu que a intuição estava certa

Eu sempre fui muito atenta à minha intuição. É difícil dizer qual foi o primeiro momento em que percebi, pois ela é um jeito de ser, ela é parte de mim e de como eu percebo o mundo e tomo minhas decisões. 

Ela foi importante para me fazer escolher ou me afastar de amigos desde a infância; não me meter em encrencas com pessoas não tão legais. Porém, um marco importante para mim foi quando eu tinha 14 anos e pedi à minha mãe para visitar uma prima que morava nos Estados Unidos. Eu não queria ir para a Disney como qualquer adolescente da minha idade sonhava, não queria fazer uma viagem com meus pais. O que eu queria era visitar essa prima de qualquer maneira. 

Chegando em Nova York, à casa dela, descobri que ela morava no que chamam de Ashram.  

Ashram é um eremitério ou comunidade espiritual, tradicionalmente na Índia, focado na prática do yoga, meditação e desenvolvimento interior. Guiado por um mestre (guru), funciona como um refúgio para a alma, frequentemente em meio à natureza

Visitar esse lugar mudou a minha vida. Foi decisivo, inclusive, para as obras que escrevo hoje, 30 anos depois dessa experiência. Foi ali que aprendi sobre vegetarianismo, sobre o valor do silêncio e da escuta, sobre a religiosidade das tradições védicas, a reverência aos grandes santos. Tudo isso eu comecei a construir ali, conhecendo esse repertório aos 14 anos.

Logo depois, veio a minha decisão de fazer jornalismo, igualmente de forma intuitiva, muito cedo, muito jovem. 

Por isso, acho que não dá para falar de um único primeiro momento, porque a intuição sempre permeou a minha vida. A intuição é parte de como eu enxergo, vivencio e caminho pelo mundo. 

Um livro que vale a pena ler

Sem sombra de dúvidas, um verdadeiro compêndio sobre o feminino para todas nós, mulheres modernas: Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Esse livro deveria ser de obrigatória leitura para qualquer menina a partir de seus 14 anos ou no momento em que menstruam pela primeira vez.

Onde você enxerga o maior desequilíbrio entre razão e sensibilidade no mundo atual

Desde meados do século XVIII, com a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, houve um grande salto tecnológico e de mentalidade da nossa sociedade. Com a desculpa de “progresso” ou de “evolução”, passamos a acreditar que a razão daria conta de todas as questões e de todas as respostas do ser humano, em detrimento do conhecimento subjetivo feminino, dos corpos negros e indígenas, dos corpos colonizados.

Quem fala muito bem sobre isso é a física indiana Vandana Shiva. Acreditamos que o avanço da sociedade apenas por meio do intelecto seria o nosso grande superpoder.

Hoje, diante do número absurdo de casos de depressão, ansiedade, melancolia e estados apáticos que temos, fica claro que é preciso dar contorno ao mundo subjetivo, aos saberes subjetivos, aos saberes da alma.

Então, quando você me pergunta qual é o grande desequilíbrio entre razão e sensibilidade no mundo atual, eu diria que ele existe por não termos aprimorado o conhecimento da nossa engenharia interior na mesma medida em que aprimoramos a engenharia externa — a engenharia das construções, das grandes edificações.

O grande desafio que temos hoje é o conhecimento, o desdobramento do nosso entendimento sobre como nós funcionamos da pele para dentro. Essa é a grande contribuição quando falamos de um mundo feminino e intuitivo que precisa vir à tona, que precisa ser valorizado e que precisa ser respeitado.

A grande contribuição feminina é o desenvolvimento e o valor do feminino simbólico, em contraposição a uma sociedade que acreditou que apenas o intelecto, apenas o conhecimento do que está fora, daria conta de responder todas as nossas questões.

Descobri recentemente...

… que a minha vida está prestes a mudar de fase. Eu sempre vivo com muita intensidade os meus momentos. Achei que, depois da escrita dos meus dois últimos livros, eu mergulharia agora em uma fase mais dedicada à escrita, nessa identidade de escritora.

Mas descobri recentemente que existe um novo e mágico campo se abrindo na minha vida, mais uma vez, em direção a uma versão muito mais autêntica, conectando minha mente com meu corpo. Descobri também que o medo, a ansiedade e a surpresa diante da vida sempre vão estar comigo, mas de formas diferentes, mais maduras, em outras oitavas. E foi uma grata surpresa. 

Descobri que essa nova fase da minha vida pode ser vivida de uma maneira muito mais plena e madura, mesmo indo com medo e ansiedade. Uma fase muito diferente está começando sem precisar provar nada nem impressionar a ninguém. Apenas viver minha verdade ou meu dharma, segundo o vocabulário do oriente.

Descobrir isso me levou a um revisitar de toda a minha vida, de todas as fases de transição que eu já atravessei.

Uma pergunta que você ainda não conseguiu responder

Por que o ser humano é movido pela inveja? Por que é assim? Por que precisa ser assim?

E como nós conseguimos — como eu consigo — combater a inveja dentro de mim mesma? Como o ser humano pode combater a inveja de maneira mais ampla? Esse é um grande desafio humano  e, claro, também meu.

Uma frase que vale repetir

Saiba que aquele que, antes de abandonar o corpo, utiliza a oportunidade desta vida para restringir os impulsos do desejo e da ira, é um yogi que conhece a real felicidade.

Bhagavad Gita Capítulo 05,  v. 23

O que a ciência já sabe hoje sobre aquilo que chamamos de intuição

Eu converso com muitos neurocientistas para entender como a ciência hoje explica o fenômeno da intuição. A neurocientista Carla Tieppo me explica que quando não existe explicação racional para sentirmos alguma coisa, encontramos na intuição um conceito possível para nomear o que estamos  vivendo como experiência. 

Nossos comportamentos e tomadas de decisão ocorrem em três níveis. O primeiro é o nível do instinto; o segundo, da intuição; e o terceiro, da racionalidade. A intuição habita esse lugar intermediário, de acordo com a especialista, em que sabemos sobre algo de forma direta, sem passar pelas etapas do intelecto. A intuição pode ser traduzida como aquele clássico mal-estar ao entrar em determinado lugar, uma sensação sem explicação. Ou ter a certeza de que precisamos fazer algo com urgência. 

Já a neurocientista Ines Cozzo, que pesquisa e trabalha com a intuição há mais de 30 anos, explica que a intuição pode ser chamada de inteligência somática do corpo. Nosso cérebro está constantemente captando milhares de informações de forma inconsciente. Captando tantas coisas, é por meio do que podemos chamar de intuição que, por exemplo, ao chegarmos atrasados a uma reunião, podemos sentir, logo ao abrir a porta, que o negócio ali não vai bem: não vimos nem ouvimos praticamente nada, mas podemos captar e perceber muito do que está acontecendo de forma irracional ou inexplicável. 

A intuição é uma função da psique humana, como nomeou o psiquiatra suíço Carl Jung, precursor ao descrevê-la no livro Tipos psicológicos. Porém hoje, com o avanço da ciência, sabemos muito mais sobre como o corpo capta informações ao nosso redor e as decodifica. Temos um sofisticado mapeamento dos sentidos. Falar apenas em olfato, audição, tato, paladar e visão é ultrapassado. E a intuição está longe de ser o sexto sentido, como chamavam antigamente. A neurociência trabalha com a possibilidade de termos de 9 a 33 sentidos que aprimoram o nosso aparato intuitivo. 

Um estudo da Universidade Monash, Austrália, e publicado na The Lancet Child & Adolescent Health, reforça essa ideia: em quase 190 mil atendimentos pediátricos, a intuição dos pais se mostrou mais eficaz do que sinais vitais isolados para identificar quadros graves em crianças — a ponto de os pesquisadores sugerirem que a percepção dos pais ou cuidadores deve ser considerada parte do processo de decisão clínica, e não apenas um complemento. 

O estudo também comparou a percepção dos pais com sinais vitais anormais, como mudanças na frequência cardíaca ou respiratória. A intuição dos pais foi um indicativo mais forte de que a criança precisaria de UTI do que qualquer um dos sinais fisiológicos analisados isoladamente.

A intuição nasce no corpo, na mente ou em algo que não sabemos nomear

A intuição é uma inteligência que capta informações que afloram de maneira inconsciente do nosso próprio corpo e, como alguns especialistas estão buscando nomear, do inconsciente coletivo. Talvez, também, informações que decodificamos das redes neurais de informações que trocamos também de forma inconsciente. É isso que muitos cientistas vêm tentando provar com experiências em laboratório, como o médico e neurocientista Miguel Nicolelis e sua teoria da brainnet. 

Qual superpoder você gostaria de ter

De ativar e desativar meu botão da raiva de forma consciente e autônoma. Controlar e organizar a minha raiva ainda é um grande desafio para mim. É por isso que treino a meditação e o silêncio. Técnicas de aprimoramento para a soberania dos nossos sentidos. Sei que precisarei de algumas vidas para alcançar (risos).

Um conteúdo (artigo/post etc…) que a inspirou recentemente

Um dos melhores textos sobre a nossa apatia e melancolia dos tempos atuais. Nassar é um grande pesquisador do nosso tempo. Ele diz enfaticamente que sentir desânimo nos nossos tempos não é sinal de fraqueza: é sinal de lucidez. Há épocas em que estar cansado é apenas reconhecer que algo essencial está sendo ameaçado. Ele traça um paralelo com a época em que Beethoven viveu e criou sua obra. Um texto emocionante e necessário.

Qual foi o maior risco que você já correu ao seguir seu faro

Eu acredito que sempre foi o oposto disso. Seguir meu faro e minha intuição já me tirou de perigos imensos e imprevistos imensos. Por exemplo, numa viagem para a Indonésia, no avião, me vem uma voz interna que deveria verificar onde estava meu passaporte. Faltava uma hora para chegarmos a Denpasar. 

Começo a procurar e não encontro de forma alguma meu passaporte. Começo a entrar em pânico, mas me acalmo e tento entrar em contato com essa voz interna. É quando vejo que o passaporte caiu no bagageiro de cima da minha poltrona. Na distração, deixei o passaporte numa mala de mão. A intuição me guiou para onde ele estava depois que me acalmei e me concentrei em receber respostas. Isso acontece sempre comigo quando me vejo em apuros. 

Conto no livro também sobre o assalto que a intuição me salvou e outras situações divertidas.

O que o jornalismo perdeu ao tentar ser excessivamente “objetivo”

Perdeu sensibilidade. Hoje, boa parte do jornalismo é um grande reprodutor de notícias e números em série. Perdemos a capacidade de uma escuta profunda, de nos chocar com aquilo que estamos noticiando em prol de uma objetividade é um reducionismo sem igual. Ainda há resistência, com grandes nomes como o de Eliane Brum e de Christiane Amanpour.

Um ritual que te ajuda a ouvir melhor

Bolsões diários de silêncio. O silêncio é meu grande catalisador de respostas. São momentos de 2 a 3 minutos, duas a três vezes por dia. Meus exercícios de respiração também me ajudam muito nesse processo intuitivo de escuta. Os pranayamas como chamamos no yoga. Descrevo vários treinos no meu livro. A minha prática de yoga diária. Eu não posso prescindir da minha prática. É meu remédio para a escuta do que há dentro e fora de mim.

Qual é o perigo de confundir intuição com viés ou preconceito

O perigo é grande e muito comum. Como vivemos vidas no modo da paixão, das fomes, dos desejos, do consumo, confundimos a todo momento intuição com viés de confirmação. Queremos ganhar na loteria, confirmar nossas superstições, queremos a intuição como método para sermos mais, criamos mais, é uma relação de barganha. 

A intuição não é o ímpeto que nos faz ligar para quem estamos apaixonados, não é o ímpeto que nos faz contratar pessoas que já correspondem aos nossos conceitos e preconceitos inconscientes. Intuição não é nada que nos motive a uma resposta movida por paixões. 

Intuição é um caminho; a voz que acontece no silêncio, na calma; é uma jornada que traz as respostas alinhadas à nossa alma. E o mistério se faz: como sei o que sei? Apenas sei. 

É uma voz sutil, um jeito de viver. É a resposta que vem depois de suarmos muito a camisa da inteligência racional. Recomendo que conheçam a história do químico Kekulé e a descoberta da fórmula do benzeno; conto sobre ela em meu livro. Aliás, todos os especialistas que ouço dizem que a intuição está muito ligada ao processo racional, andam juntas, são complementares opostas. A intuição é a voz da sabedoria operando por meio de nós; por isso tantos cientistas, após exaurir o método do intelecto, chegam a respostas por sonhos, insights, por atenção às sincronicidades. Intuição é um estado de atenção às respostas sutis; não conhecemos isso no modo de vida operando no sistema nervoso simpático. Precisamos de alma e de um estado contemplativo; de conexão com nosso corpo; respiração calma; modo de operação do sistema nervoso parassimpático. Para isso, eu mesma coloco uma série de treinos no meu livro. A intuição é um super poder, uma ciência que opera numa outra lógica da sabedoria; não de respostas prontas. 

A intuição será ainda mais importante na era da inteligência artificial

Mais do que nunca. Somos fantásticas máquinas de consciência. No entanto, nossa programação individual está sendo orientada para uma utilização mais mecânica desde a infância. Agora, a inteligência artificial vem colocar o dedo nessa dor. Onde mora a consciência que nos diferencia das máquinas e que deve estar aprumada para fazer as perguntas corretas? O biólogo e divulgador científico Átila Iamarino usou em suas redes sociais um termo de que gostei bastante sobre a IA. 

Segundo ele, modelos de linguagem não são ferramentas inteligentes. São redes treinadas para mastigar textos e imagens e reconhecer padrões, um autocompletar mais elaborado. Olhar para um modelo desses e achar que tem ali uma inteligência é a mesma coisa que uma galinha olhar para uma torneira vermelha achando ser a crista de outra galinha e tentar interagir com ela. A “galinheza” da torneira está no cérebro da galinha, e não na torneira. É o mesmo sobre nós, humanos, buscando inteligência, terapia ou companhia em ferramentas de IA. 

Mas isso me preocupa bastante, pois as ferramentas baseadas em modelos de linguagem estarão cada vez mais sofisticadas e sedutoras em se fazer passar por humanos, querendo nossa atenção e lucrando com o nosso uso. Treinar o olhar e o saber intuitivo nos ajuda a aprimorar nosso algoritmo biológico, essa inteligência usada por nós durante milhares de anos, mas que nos últimos 20 vem sendo deseducada pela tecnologia fora de nós. 

Qual habilidade humana precisamos proteger com mais urgência hoje

O espanto. A capacidade de nos espantar diante de nossa pequenez. A habilidade de fazer grandes perguntas! A capacidade de lembrar e se chocar com o fato de que somos minúsculos diante da grandeza do universo e de que sabemos tão pouco. Humildade. Lembrar que estamos nesse planeta para servir a um bem maior, à natureza, ao sagrado. Só assim podemos sobreviver. 

Bienais, museus, feiras e exposições espalhadas pelo mundo — da Europa ao Oriente Médio, dos EUA à América Latina.

Se 2025 foi um ano de reorganização, 2026 se anuncia como um ponto de virada. Não por um único evento, mas pela soma de movimentos que, juntos, redesenham o mapa da arte contemporânea — geograficamente, institucionalmente e simbolicamente. 

Selecionamos alguns dos acontecimentos que ajudam a entender por que este será um ano-chave para quem acompanha arte, cultura e os deslocamentos do mundo contemporâneo.

Veneza em tom menor, e mais profundo

© Foto: Dave Southwood para ARTnews

© Foto: Dave Southwood para ARTnews

A próxima edição da Bienal de Veneza já nasce histórica. Pela primeira vez, a exposição principal será realizada a partir do projeto deixado por uma curadora que não chegou a ver seu trabalho concluído.

Koyo Kouoh, diretora do Zeitz Museum of Contemporary Art Africa e uma das vozes mais importantes da cena artística africana, morreu em 2025, deixando como legado a estrutura conceitual da mostra In Minor Keys. O título não é casual: menos espetáculo, mais escuta; menos volume, mais nuance.

O evento aponta para um gesto raro em eventos dessa escala: desacelerar para enxergar melhor. Um movimento que diz muito sobre o momento atual da arte.

O mundo como circuito de bienais

Veneza segue sendo o epicentro, mas não o centro exclusivo. Em 2026, as bienais se espalham pelo globo com força renovada: Whitney e Carnegie nos EUA, Sydney e Gwangju na Ásia-Pacífico, Diriyah no Oriente Médio.

O dado mais interessante não é a quantidade, mas a composição. Artistas do Afeganistão, Filipinas, Palestina, Japão e América Latina ocupam espaços historicamente dominados por narrativas euro-americanas. As bienais deixam de ser vitrines nacionais e passam a funcionar como mapas instáveis de um mundo em fricção.

O mercado muda de eixo

Enquanto as exposições repensam linguagem e discurso, o mercado reposiciona geografia. Em 2026, dois gigantes do circuito de feiras avançam sobre o Oriente Médio.

© M7, futura sede da Art Basel Qatar.
Photo : Julius Hirtzberger/Courtesy Art Basel.

A Art Basel estreia no Qatar sob a liderança artística de Wael Shawky, uma escolha simbólica, que desloca o foco do mercado puro para a construção de narrativa. Meses depois, a Frieze inaugura sua edição em Abu Dhabi, em um contexto marcado pela expectativa em torno da abertura do Guggenheim local. Não é apenas expansão territorial. É um reposicionamento de poder cultural.

Museus que finalmente se materializam

Vista aérea do Museu Lucas de Arte Narrativa em construção, setembro de 2025.
© Foto: Pedro Ramirez 2025 Museu Lucas de Arte Narrativa

2026 também é o ano de inaugurações aguardadas, algumas há décadas.

Em Los Angeles, o Lucas Museum of Narrative Art, idealizado por George Lucas e Mellody Hobson, abre suas portas com um acervo que cruza arte, cinema e cultura visual popular. O edifício, assinado por Ma Yansong, promete ser tão comentado quanto o conteúdo.

Uma representação do Muzej Lah.
Foto: © David Chipperfield Architects

Na Eslovênia, longe dos circuitos tradicionais, o Muzej Lah surge como um lembrete de que coleções relevantes não precisam estar nos centros óbvios.

Em Bruxelas, o complexo Kanal tenta se afirmar como um dos maiores espaços institucionais da Europa, em diálogo direto com o Centre Pompidou.

Rever o cânone (com tempo e rigor)

Os grandes museus também olham para trás, mas com novas perguntas.

O Metropolitan Museum of Art realiza a primeira grande retrospectiva de Raffaello di Giovanni Santi nos EUA, um feito tardio para um dos pilares da história da arte. 

O MoMA e o Philadelphia Museum of Art revisitam Marcel Duchamp em uma mostra que promete recolocar o artista no centro do debate contemporâneo, mais de 50 anos após sua última retrospectiva no país.

Frida Kahlo, Ana Mendieta, Van Eyck, Vermeer: todos retornam em exposições que menos celebram ícones e mais interrogam narrativas cristalizadas.

Outros sinais do tempo

O MASP aprofunda sua revisão das histórias latino-americanas.

 Hans Ulrich Obrist publica um livro de memórias que ajuda a entender o curador como figura central do sistema.

O Bayeux Tapestry cruza o Canal da Mancha pela primeira vez em séculos. O bordado de 224 pés, que narra os eventos que antecederam a conquista normanda da Inglaterra em 1066, estará em cartaz no British Museum. Normalmente guardada na França, a tapeçaria não visita a Inglaterra há mais de 900 anos, e sua vinda já provoca debates sobre fragilidade, custos e preservação.

A Copa do Mundo inspira exposições que cruzam esporte, política e arte. A exposição mais importante do ano relacionada ao tema está programada para acontecer na Cidade do México, no Museo Jumex, que apresentará “Fútbol y Arte. Esa misma emoción”, em Março.

O próprio universo das galerias de arte acaba de ganhar forma e vira sátira em The Gallerist, filme ambientado na Art Basel Miami Beach.

Viver um circuito internacional de exposições, feiras e museus pede menos fricção e mais continuidade. Entre uma cidade e outra, a atenção deve estar no olhar, e não no câmbio, nas taxas ou nas conversões. É aí que a C6 Conta Global entra: 

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