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#194 - Reconstruções difíceis, dúvidas persistentes, jazz noturno, mesas que valem a espera e mais!
Guia EYN

Edição #194
Alguns fins de semana pedem fôlego. Uma série que encara o trauma sem atalhos, um livro que usa o tempo para pensar a própria vida, conversas sobre dúvida, um olhar atento para o vinho feito aqui. Pequenas escolhas que não aliviam o mundo, mas ajudam a habitá-lo melhor. Escolha uma, desacelere o resto e deixe o tempo agir.

Reconstrução sem anestesia
Disponível na HBO

I May Destroy You não é leve e nem quer ser. A série nos obriga a não desviar o olhar, a engolir seco. Acompanhamos Arabella, jovem escritora que parecia ter tudo: popularidade, independência e uma carreira promissora. Até que sua bebida é adulterada em uma noite qualquer e o que vem depois é uma reconstrução fragmentada, honesta e dolorosa. Incômoda no melhor sentido da palavra.
Mal documentado
Disponível na Netflix

Não importa o quanto soubermos sobre o caso Epstein, a sensação é de que jamais saberemos de tudo. Jeffrey Epstein: Filthy Rich é a ponta de um enorme iceberg. A série documental revisita o passado para tentar organizar uma das histórias mais perturbadoras da vida real e nos lembrar de como poder e silêncio caminham juntos.

Um ano para compreender uma vida

Toni é um professor de filosofia do ensino médio, cansado e sem perspectivas. Sob esse pretexto, ele decide pôr fim à própria vida e se dá exatos 365 dias para acertar pendências e tentar entender o porquê de sua decisão. O livro Quando os Pássaros Voltarem acompanha essa jornada e os momentos diários em que ele escreve suas memórias e anotações pessoais. Existencial e surpreendentemente delicado.

De repente NYC

Imagine esta cena: luz baixa, cadeiras acolchoadas e vermelhas, mesas de madeira escura, tudo meio apertado e aconchegante ao mesmo tempo. Na mão, um martini e nos ouvidos uma banda de jazz ao vivo. Se essa é sua vibe, temos a playlist perfeita para viver, de onde estiver, uma noite em um bar de jazz em NYC.
Intuição ou paranoia?

Eis uma pergunta valiosa a se fazer em meio às encruzilhadas: até que ponto confiamos — e/ou devemos confiar — naquele eventual ‘pé atrás’? O episódio You 2.0: Trusting Your Doubt do podcast Hidden Brain explora exatamente essa sensação. Em um papo baseado em estudos, somos convidados a explorar o desconforto que sentimos perante dúvidas e como nosso cérebro lida com elas. Bônus: talvez até aprender a fazer melhores decisões. Científico e filosófico ao mesmo tempo.

Vício estratégico

Rummikub é daqueles jogos que viciam enquanto nos fazem quebrar a cabeça. Originalmente em tabuleiro e criado na década de 40, a brincadeira é basicamente uma dinâmica de sequências de números e cores. Pense em uma espécie de Uno em formato de dominó. Online, o aplicativo cria partidas com jogadores do mundo inteiro e instiga até os menos competitivos. Disponível tanto na App Store quanto no Google Play.

Reacendendo as luzes

O Cine Copan retorna para manter viva a tradição do cinema de rua. Depois de quase vinte anos fechado, uma montagem teatral imersiva ocupa o palco enquanto as telonas não são (re)inauguradas. A peça "Hamlet, Sonhos que Virão", com protagonismo de Gabriel Leone, estreou nesta semana e promete ser o primeiro passo de um grande (e necessário) regresso.
Onde: Avenida Ipiranga, 200, República, São Paulo
Quando: de terça a domingo até 19 de abril

Quando em Fortaleza

O restaurante Aki Asian Kitchen se estabeleceu em Fortaleza como um delicioso refresco na cena gastronômica local. A proposta é uma fusão de diferentes culinárias asiáticas e traz à mesa pratos como baos, tacos e bibimpap. Com uma carta de drinks repleta de criações autorais, o espaço é pequeno e costuma ter fila de espera, então vale a pena reservar antes. Não deixe de pedir o bolo quente de sobremesa.
Onde: Rua Leonardo Mota, 753, Meireles, Fortaleza

Por Brasil de Vinhos

Lucia Porto | Brasil de Vinhos
O cenário atual da produção de vinhos no Brasil é, como um bom espumante, efervescente. A aplicação da técnica da Dupla Poda viabilizou a produção de uvas viníferas em regiões outrora vistas como inaptas para o cultivo da videira. Novos investimentos, com perfis distintos, têm proporcionado a expansão da área cultivada e a exploração de novos terroirs e vinhos que ainda estão encontrando sua identidade. Ao mesmo tempo, regiões tradicionais têm buscado o aperfeiçoamento de serviços de enoturismo e enogastronomia. Há muita pesquisa e aperfeiçoamento técnico (o quê e como cultivar, e o quê e como vinificar) nas novas regiões. E nas regiões estabelecidas, a fase é de o quê e como comunicar os produtos já estabelecidos ao grande público.
Há muita pujança no vinho brasileiro, com novas regiões surgindo com muita força – e dinheiro. E as regiões tradicionais se consolidando cada vez mais. É um momento incrível para o consumidor de vinho brasileiro com muita oferta – e produtos de excelente qualidade.
O estigma de que “vinho de fora é sempre melhor” pode ser vencido com educação e muita contação de história, degustando, provando, comparando e visitando vinícolas pelo Brasil. Experimentando a mesma uva de diferentes regiões, muitas vezes vinificada pelo mesmo produtor e percebendo as suas diferenças. Descobrindo, in loco, como se faz o vinho. Vendo o trabalho – árduo – feito pelos produtores, pelos agricultores, pelos técnicos, pelos enólogos, pelos agrônomos, pelos sommeliers, pelos cantineiros. Vinho é amor e glamour, mas também é muito trabalho duro.
É preciso sempre ter a mente aberta e compreender, verdadeiramente, todo o trabalho que acontece antes de colocarmos uma garrafa de vinho na mesa das nossas casas.

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