
Edição especial #197
Neste domingo acontece o Oscar. Estamos animados? Sim. Conseguimos ver todos os filmes? Não. Então segue aqui um leve situamento caso você também se encontre na mesma.
O Agente Secreto concorre a 5 prêmios e queremos que ganhe todos, mas sejamos realistas: um Oscar em mãos e já comemoramos igual Copa do Mundo.
O Timothée Chalamet atuou muito bem em Marty Supreme, mas resolveu abrir a boca pra dizer que ninguém liga para orquestras e balés, então estamos na torcida do contra desde então.
Sinners é um primor e uma proposta genuinamente inovadora: mistura terror, música e ficção científica histórica. As atuações estão impecáveis e a cada vez que você assistir vai ter uma percepção nova.
Pouco se falou de Blue Moon e Foi Apenas Um Acidente, o diretor de Parasita foi esnobado, mas recomendamos ambos.
Para se aprofundar mais, a Amanda, nossa editora de vídeo e a cinéfila mais dedicada do time, foi fundo na temporada e voltou com um texto sobre os esnobamentos desse ano. Vale muito a leitura.
Na calçada do Oscar

O Oscar adora vender a própria lista como retrato do ano, essa é a verdade. Em 2026, alguns dos esnobamentos mais reveladores não aconteceram na margem, mas bem no centro, com obras já indicadas, campanhas visíveis, prêmios importantes na bagagem e um espaço real na temporada. O filme entrou, mas o nome de quem o fez não. A atriz venceu um prêmio prévio, mas a vaga no Oscar não veio. O documentário chegou à shortlist, mas morreu antes dos cinco finalistas.
Os motivos são bem conhecidos: campanha que perdeu força, categoria lotada, resistência a cinema político, aversão a obras longas demais, viés americano, falta de dinheiro para sustentar a corrida até o fim.
O caso mais gritante é Kleber Mendonça Filho. O Agente Secreto entrou em Melhor Filme, Ator, Filme Internacional e Casting, mas Kleber ficou fora de Melhor Diretor e Melhor Roteiro mesmo depois de ganhar direção em Cannes e ver o longa vencer no Globo de Ouro. A Academia aceita o resultado final, mas hesita diante da autoria quando a assinatura vem de fora do eixo mais reconhecível para seus votantes. Disponível na Netflix.

Ainda no Brasil, Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, ficou fora de Melhor Documentário depois de passar por Veneza, Telluride e New York Film Festival. A obra toca diretamente na articulação entre religião, poder e autoritarismo, com paralelo explícito com o trumpismo. Em ano americano sensível, isso vira problema. Também na Netflix.
Paul Mescal ficou fora de Melhor Ator por Hamnet, mesmo com o filme tendo oito indicações. A categoria masculina estava especialmente congestionada, com Sinners ocupando muito espaço, e isso costuma empurrar para fora até performances premiadas ao longo da temporada. Disponível via aluguel na Prime Video e Apple TV.
Guillermo del Toro por Frankenstein e Yorgos Lanthimos por Bugonia viveram a mesma história: filmes com muitas indicações, diretores de fora. Quando isso se repete com del Toro, Lanthimos e Kleber no mesmo ano, já não parece acaso. Os votantes aceitam a obra como pacote de prestígio, mas travam diante da assinatura mais particular e menos domesticada. Ambos disponíveis via aluguel na Prime Video e Apple TV.
Clint Bentley diretor de Train Dreams, um dos filmes indicados a Melhor Filme também ficou de fora de Melhor Diretor, apesar das outras 4 indicações do filme: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Canção Original e Fotografia, assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso. Você pode conferir na Netflix.
Chase Infiniti, por Uma Batalha Após a Outra, perdeu vaga em Melhor Atriz mesmo com o filme acumulando treze indicações: categoria lotada somada à preferência por nomes estabelecidos. Disponível na Max.

Jennifer Lawrence, por Die, My Love, caiu por outra razão. A performance é física e crua, mas presa a um filme deliberadamente difícil e com distribuição limitada, um conjunto que não costuma ser bem recebido. Disponível no MUBI.
Eva Victor levou esnobada em bloco por Sorry, Baby: atriz, direção e roteiro. O motivo foi novamente campanha. A A24 concentrou recursos em outro título e o filme sumiu do radar. Disponível na Max.
Park Chan-wook com No Other Choice tem cara de repetição histórica. O diretor de Parasita chegou com Veneza e Toronto mas não entrou em Melhor Filme Internacional. Não parece falha do filme, mas limite persistente da Academia com um cineasta que o circuito mundial já consagrou. Disponível no MUBI.
Wicked: For Good não teve uma esnobada isolada, teve um apagamento completo. Depois do primeiro filme ter sido abraçado, a sequência ficou com zero indicações. Ariana Grande e Cynthia Erivo foram levadas junto pelo colapso da campanha. Disponível via aluguel na Prime Video e Apple TV.
Sirât conseguiu duas indicações, Melhor Filme Internacional e Melhor Som. Depois da força nas shortlists e do barulho em torno da experiência sensorial do filme, parecia existir espaço para uma presença técnica mais ampla. No fim, a Academia reconheceu justamente o que o filme tem de mais físico e imersivo, o trabalho sonoro, e o manteve vivo na disputa internacional. Sirât ainda está em cartaz em cinemas selecionados e sem previsão de chegar ao streaming.
Os esnobados do Oscar 2026 desenham um mapa bem nítido. Há o esnobamento por categoria lotada, por campanha mal sustentada, por tema político demais, por linguagem menos dócil, por falta de dinheiro. E há o mais irritante: aquele em que o Oscar já admitiu que o filme importa, mas continua recusando reconhecer por inteiro quem o fez existir.
Particularmente, estou empolgadíssima para ver a performance de “I Lied to You”, música de Sinners indicada a Melhor Canção Original. Só aceito O Agente Secreto perder pra Sinners, mas minha aposta é que Uma Batalha após a Outra levará o prêmio principal.

Agora, fique com as opiniões sinceronas do resto do time

Gostei muito da maioria dos filmes desse ano, mas confesso que não tive saco para assistir F1 nem Bugonia. Sem falar de O Agente Secreto (meu favorito por motivos óbvios), meu top 3 é: Sinners, Hamnet e Sentimental Value, e são esses que eu assistiria caso ainda não tivesse visto nenhum.

Amei Sinners, achei um filme muito potente e me envolveu. Uma Batalha Após a Outra me marcou demais pela profundidade da narrativa e pela atuação do Leonardo DiCaprio. Achei o suspense de O Agente Secreto super bem confuzido, mas confesso que dei algumas piscadinhas durante o filme.

Confesso que esse ano falhei um pouco na maratona dos indicados ao oscar. Só consegui ver o agente secreto no cinema e assisti Guerreiras do Kpop com minha irmã de 11 anos. Gostei bastante de O Agente Secreto, embora tenha achado um pouco longo. Dona Sebastiana diva master shout out to her!!!!!!! Outros filmes da temporada também me chamaram a atenção, como Bugonia e Marty supreme, mas ainda não consegui assistir.

Assisti a Sinners antes do hype e confesso que talvez tivesse gostado mais se tivessido sido influenciada pela opinião alheia (risos). Fiquei arrebatada pelas atuações e trilha sonora, mas o plot vai por um caminho que não me agrada. Uma Batalha Após a Outra é bom demais, vi no cinema e revi em casa! Bugonia: sou cachorrinha da dupla Emma Stone e Yorgos Lanthimos! Sonhos de Trem é lindíssimo e a natureza captada pelo Adolpho Veloso pode render Oscar pro Brasil de Melhor Fotografia. Que orgulho!
O Agente Secreto: sei muita gente achou lento, mas será que tudo tem que ser a mil por hora? O ponto é justamente ser contemplativo, o Kleber quis isso mesmo porque é central para a narrativa que ele constrói. Estão no direito de não gostar, né... Mas achei filmaço e gritei: dá o Oscar pra eles - especialmente pra Tânia Maria!!!

Infelizmente esse ano estou de mal a pior em acompanhar o mundo do cinema e os indicados ao Oscar. Assisti Marty Supreme e gostei, mas não amei — longe disso, na verdade. Achei muito longa e a história um pouco cansativa no geral. Já Hamnet eu amei, e se ganhar vou ficar feliz! Mas como não assisti muita coisa dessa vez, não me sinto muito no direito de opinar… então vou guardar meus pitacos para os looks do red carpet, tá bom?
Boa cerimônia pra quem vai assistir e boa noite pra quem vai dormir cedo.
*As opiniões expressas são individuais e não representam necessariamente a visão da organização.

