
Edição #197
Há fins de semana que pedem silêncio. Histórias sobre escolha, identidade e aquilo que permanece mesmo quando tudo muda. Música para cantar alto, ideias que inquietam, espaços e cheiros que ficam na memória. Escolha uma, desacelere o resto e deixe o tempo agir…

E se o amor não acabasse com a morte?
Apple TV, Prime Vídeo

Eternity não é exatamente uma comédia romântica tradicional. É mais sobre tempo, escolhas e aquelas versões de nós mesmos que ficam presas em outras fases da vida. Sobre quem a gente foi, quem a gente se tornou e, principalmente, quem a gente ainda escolheria ser se tivesse outra chance.
Em um pós-vida onde as almas têm apenas uma semana para decidir onde passar a eternidade (e com quem), Joan se vê diante de uma escolha impossível. De um lado, o homem com quem construiu toda a sua vida. Do outro, seu primeiro amor que morreu jovem e passou décadas esperando por ela.
Uma comédia que não tenta ser só leve
HBO MAX

Steve Carell volta em Rooster, mas não do jeito que você espera. A série explora a relação complicada entre pai e filha quando ele tenta ajudá-la a manter seu emprego de professora em uma universidade. O motivo? diversas confusões após a traição de seu marido com uma estudante.
Aqui, o humor não vem de punchline fácil e sim do desconforto, do timing estranho e personagens complexos e verdadeiramente interessantes. A série acompanha o protagonista naquele momento da vida confuso onde decisões se acumulam e nada parece exatamente certo. Carell faz o que ele sabe fazer melhor: equilibrar carisma com um certo desajuste, como se estivesse sempre um pouco fora de lugar, mesmo quando está no centro da cena.

A ignorância é uma benção?

Charlie quer ser inteligente. Muito inteligente. E consegue. Flores para Algernon começa quase como uma fábula científica, mas o plot vira muito rápido. Acompanhamos a transformação do protagonista através de seus próprios relatórios. Após uma cirurgia para aumentar seu QI, quanto mais inteligente ele fica, mais complexa (e dolorosa) se torna a forma como ele vê o mundo e a si mesmo.
É um livro sobre consciência, mas também sobre solidão. Sobre como entender demais pode afastar você dos outros. E sobre o que significa, de fato, “melhorar”. Simples na forma e devastador no efeito.

Para cantar no chuveiro

Talvez esse título seja clichê, mas todo clichê tem seu motivo. Feel Good Songs 💛🌻💛 é aquela playlist que vai fazer quem mora com você pedir o link ou começar a cantar junto. Algumas das músicas que mais gostamos: Signed, Sealed, Delivered (I'm Yours), Come On Eileen, Ho Hey e I Can See Clearly Now.
O mundo está mudando, mas pra onde?

The End of the World As We Know It é um episódio do podcast The Gray Area que parte da sensação coletiva de instabilidade. Afinal, o que está acontecendo? Alianças desgastadas, democracias que oscilam, normas que deixam de funcionar como antes.
Sem respostas fáceis, o episódio vai costurando exemplos recentes, da política externa americana ao caso da Groenlândia, para mostrar como o declínio democrático pode ser, ao mesmo tempo, evidente e difícil de nomear.
É o tipo de escuta que não organiza o caos, mas ajuda a enxergar melhor dentro dele.

Entre personalidade, assinatura e essência

Perfumist é o aplicativo perfeito para os amantes de perfume. Ideal para quem gosta de explorar memórias olfativas, trocar sobre durabilidade, fragrâncias e se aprofundar mais neste universo a partir de seus gostos.
A ideia é compartilhar suas preferências, descobrir novos rótulos, ter informações personalizadas e criar seu ranking olfativo. Ótimo para quem está em busca de ter aquela essência que é a sua cara. Disponível para IOS e Android.

Ver, atravessar e ser visto

"Sou o Outro do Outro" é uma exposição inédita da artista britânica Es Devlin, na Casa Bradesco. Aqui, o público é convidado a sair do lugar de observador e entrar na ideia de sermos uma “sociedade temporária”, de apenas existirmos sob o olhar alheio.
As instalações brincam com percepção, escala e linguagem. Tem algo de imersivo, mas também de muito íntimo. Você sai com a sensação de que o espaço também está te observando e leva isso para casa com você: cada visitante pode levar consigo um desenho da artista que está na parede. Arte, humanidade e tecnologia em um balaio só. E o resultado é incrível.
Onde: Alameda Rio Claro, 190, Bela Vista, São Paulo
Quando: terça a domingo, das 12h às 20h, até 27 de julho.

Buonasera não! Buongiorno.

Shihoma Deli funciona no horário de almoço, mas tem feito sucesso com seu brunch com opções modernas e clássicas, como queijo quente e ovos no purgatório com iogurte de ovelha. Uma casa italiana moderna com opções na vitrine e no menu: massas frescas, molhos, diferentes pães e tortas. Ambiente aconchegante e comida gostosa, mas fiquem espertos: o espaço só abre de terça a sábado.
Onde: Rua Harmonia, 161, Vila Madalena, São Paulo

Viena em 48 horas, 4 livrarias e infinitos cafés

A vista de dentro do Palácio Belvedere
Recentemente, ouvi de austríacos que eles quase não consideram Viena parte da Áustria. Na hora, me perguntei se era uma rixa meio interior vs cidade, mas quando pisei lá pela primeira vez, entendi tudo.
Viena não tem nada a ver com a imagem tradicional que a gente faz da Áustria. É viva, jovem e conversa muito bem com o moderno e o antigo, que é preservado e celebrado. Depois de Saalbach, onde estive recentemente, tudo é muito mais fresco, mesmo que esteja lá há séculos.
Em pouco mais de 48h: 4 livrarias, 2 museus, 1 walking tour, algumas lojinhas e muito schnitzel e cerveja.

O Café Landtmann e a decoração clássica vienense
A primeira programação foi café da manhã no Café Landtmann, para poder respirar o mesmo ar que Freud respirou. O chocolate quente da casa estava cremosinho na medida, mas fomos aventureiras demais ao pedir o café vienense: a salsicha pálida assustou.
A segunda parada foi o walking tour que achamos no GuruWalk, modelo pague o que quiser, mas com reserva no site. Fazemos muito isso em viagens e sempre amamos poder aprender diretamente com locais. Nosso fun fact favorito: os cafés da cidade são considerados patrimônios imateriais pela Unesco.

