
Edição #201
Manu Bordasch é uma empreendedora brasileira, fundadora e CEO do Steal The Look, um dos maiores portais de moda, beleza e comportamento do Brasil, fundado quando ela tinha 23 anos. Reconhecida no mercado digital, ela vendeu sua empresa para o Magazine Luiza em 2021, além de ter criado o PUSH, uma plataforma de carreira feminina, e co-apresentar o podcast de finanças "O que tem na sua carteira?" com a B3.
O que a recompra do Steal the Look representa para você além de uma decisão de negócio?
Representa o início de um novo capítulo, com uma estratégia de crescimento ainda mais alinhada àquilo que o STL se tornou ao longo dos últimos anos. A parceria com a Magazine Luiza foi fundamental para dar escala, estrutura e abrir novas possibilidades. E isso segue sendo parte importante da nossa história.
A recompra vem muito mais como uma evolução natural: um momento em que conseguimos combinar esse aprendizado e essa base com uma atuação ainda mais próxima da visão fundadora, acelerando novas frentes e explorando o potencial do STL de forma mais integrada.
E para a Manu pessoa fisica?
O STL nasceu para democratizar acesso à moda e à beleza, traduzindo tendências e informação de um jeito próximo, útil e relevante para a vida real das mulheres. Ao longo do tempo, percebi que esse propósito era maior do que essas categorias.
Depois de nos consolidarmos em moda e beleza, entendi que era hora de levar essa mesma missão para outras verticais, como finanças (e outras verticais que lançaremos em breve). A recompra me reconectou justamente com esse propósito inicial: voltar a conduzir o STL a partir da sua essência e expandir esse impacto para novas áreas que ajudam mulheres a tomar decisões mais conscientes em diferentes dimensões da vida.
Também tem um significado muito pessoal de maturidade. Recomprar o negócio depois de tê-lo vendido me trouxe a chance de voltar para o mesmo lugar, mas com outra bagagem, mais experiência e menos necessidade de validação externa. É um retorno mais consciente, em que eu me sinto mais preparada (como líder e como pessoa) para conduzir o próximo capítulo.
Existe algo que você só entendeu sobre o seu próprio negócio depois de vendê-lo, e recomprá-lo?
Que o maior ativo nunca foi audiência, foi leitura de comportamento. E isso não escala só com estrutura, escala com repertório, sensibilidade e consistência.
O que mudou na sua forma de liderar depois dessa nova fase?
A principal mudança foi entender que, para sustentar o próximo nível de expansão, eu precisava construir um time ainda mais forte do que eu em várias frentes. Trouxemos pessoas muito boas de mercado, seniorizamos áreas-chave e estruturamos melhor o negócio para crescer.
Na prática, isso significa que eu deixei de estar tão envolvida na operação do dia a dia para focar em decisões que destravam crescimento — como novas verticais, parcerias estratégicas e caminhos de monetização. Meu papel hoje é garantir clareza de direção e velocidade nas decisões, enquanto tenho um time preparado para executar com consistência.
Vocês dizem que não vendem mídia, mas traduzem comportamento. O que o mercado ainda não entendeu sobre conteúdo?
Que conteúdo não é sobre alcance, é sobre relevância. Não adianta falar com muita gente se a mensagem não faz sentido cultural naquele momento.
O mercado ainda trata conteúdo como formato ( vídeo, post, campanha) quando, na prática, ele é contexto. É sobre entender o que as pessoas estão vivendo, sentindo e consumindo, e traduzir isso da forma certa.
Existe algo estruturalmente errado na forma como marcas investem em influência hoje?
Sim, a lógica ainda é muito transacional. Influência não é mídia, é construção de percepção ao longo do tempo. Enquanto as marcas continuarem comprando posts e não construindo narrativa, vão continuar achando que “não performa”.
Um erro que te ensinou mais do que qualquer acerto
Confundir crescimento com direção. Nem todo crescimento é sinal de que você está indo para o lugar certo.
Uma pergunta que você gostaria que te fizessem mais
O que você decidiu não fazer?
Porque estratégia também é renúncia.
Por que falar sobre dinheiro entre mulheres ainda é um tabu?
Porque por muito tempo dinheiro não foi uma linguagem que nos ensinaram a dominar, e tudo que não é domínio vira desconforto. Mas estamos, aos poucos, conseguindo ajudar a mudar essa realidade.
O que você aprendeu ouvindo mulheres falarem sobre suas próprias relações com dinheiro?
Que a relação com dinheiro quase nunca é só sobre dinheiro. Ela passa por autoestima, pertencimento e pelos relacionamentos que a gente constrói ao longo da vida.
Existe muita culpa envolvida, tanto em ganhar quanto em gastar, e isso vem de um histórico em que mulheres foram pouco incentivadas a dominar essa linguagem. Ao mesmo tempo, percebo que falta menos inspiração e mais repertório prático como conversas abertas, exemplos reais e ferramentas que ajudem a transformar essa relação no dia a dia.
Você quer transformar o STL em uma holding de conteúdo, dados e influência. O que isso significa de verdade?
Significa deixar de ser apenas um veículo e construir um ecossistema.
Na prática, é expandir o STL para além do conteúdo, conectando audiência, dados e comunidade em diferentes frentes como novos verticais, produtos, formatos de monetização e até marcas próprias. É usar o que a gente entende de comportamento não só para comunicar, mas para criar, testar e escalar negócios a partir disso.
Uma frase que você guarda como norte
Pressure is privilege.
Um detalhe da vida que você acha subestimado
Rotina. É ela que sustenta tudo que parece extraordinário.
Uma conta do Instagram que vale a pena seguir
@stealthelook (risos). @feneute e @thaisfarage são contas de mulheres que admiro e que sem dúvida vale a pena seguir. Pra saber mais sobre a Fê, vale ouvir o episódio que temos com ela do O que tem na sua carteira. E pra ouvir mais sobre a Thais, tem uma palestra genial com ela no nosso evento do Push Finanças.
Uma pergunta que você se faz constantemente
Faço menos do que eu deveria, mas é ''Isso está construindo o negócio que eu quero ter daqui a cinco anos ou só resolvendo o agora?”
Um livro que todos deveriam ler ao menos uma vez

The culture code Pra mim a cultura é o motor de absolutamente tudo e de nada adianta ter a melhor estratégia se temos a cultura errada em nossos negócios. Já dizia aquela frase famosa do Peter Drucker:
culture eats strategy for breakfast.

Vestir o próprio tempo
Crescer não é só expandir: é sustentar quem você está se tornando ao longo do caminho. Isso vale para negócios, mas também para a forma como a gente se apresenta no mundo. Porque, à medida que a vida muda, o trabalho muda, a rotina muda, nós mudamos, o que vestimos também precisa acompanhar — não como performance, mas como continuidade, uma moda que é parceria.
Existem peças que ajudam a fazer essa transição com fluidez. O blazer é uma delas. Ao longo do tempo, ele deixou de ser apenas um símbolo de formalidade para se tornar uma peça da vida: aquela que organiza, que resolve, que funciona em diferentes momentos do dia sem exigir esforço demais. Mais do que comunicar algo para fora, ele acompanha um movimento interno, de quem está ocupando novos espaços, testando versões, ajustando rotas.
É nesse lugar que a Shoulder constrói sua história. Desde o início, olhando para uma mulher em transformação e criando roupa boa de verdade, que acompanhaa esse processo de forma prática, consistente e atual.
O blazer, que atravessa décadas como uma de suas especialidades, traduz bem essa ideia: uma peça que não interrompe o caminho, mas segue junto com ele. Afinal, estilo não é sobre marcar um momento específico: é ter com o que contar enquanto tudo muda.
Shoulder. Veste o seu tempo.



