
Edição #202
Há fins de semana que pedem curiosidade. Séries que chegam ao fim, histórias enterradas que voltam à tona, músicas que aproximam mundos distantes. Ideias que ampliam o olhar, lugares para demorar e pequenos hábitos que organizam o caos. Escolha uma, desacelere o resto e deixe o tempo agir.

Sam Levinson esgotou a fonte?
Max

A terceira e última temporada de Euphoria chega mais controversa do que nunca. entre polêmicas com o elenco e escolhas inesperadas na direção, a série estrelada por Zendaya retorna com novos episódios semanais lançados aos domingos e a promessa de dividir opiniões.
Último gostinho da comédia em Vegas
Max

Abril começou quente e Hacks também terá os episódios de sua última temporada lançados semanalmente. A relação entre as protagonistas, uma comediante consagrada (mas que já havia chegado ao fim de sua carreira) e sua roteirista gen z chega ao seu ponto mais afiado. inteligente, ácida e emocional na medida certa, Hacks encerra seu ciclo reafirmando por que se tornou uma das melhores comédias dos últimos anos (e talvez de todos os tempos).

Histórias que começam com uma pergunta impossível

E se, três anos após o enterro de uma parente, você recebesse uma ligação pedindo para reconhecer o corpo? É a partir dessa premissa que Valérie Perrin constrói o romance denso e envolvente Querida Tia. Aqui, Agnès reconstrói a história de sua família, atravessando memórias que passam por sobreviventes do holocausto, um pianista célebre e segredos que insistem em permanecer enterrados.

Sons que atravessam o espaço (e trazem a Terra junto)

Uma tradição que vem desde a era apollo segue viva: astronautas acordando ao som de músicas escolhidas a dedo. Na missão Artemis II, a trilha sonora mistura indie, pop e clássicos, de sleepyhead, de Young & Sick, a Pink Pony Club, de Chappell Roan, criando pequenos momentos de conexão com a terra em meio ao silêncio do espaço. Mais do que música, a playlist da NASA com mais de 100 mil saves é um lembrete de que, mesmo a caminho da lua, a gente ainda leva consigo aquilo que nos move.
Ainda há quem acredite em terapia de conversão?

Surviving Eight Years of Conversion Therapy é um episódio difícil, mas necessário do podcast Culture Studies. O autor Timothy S Rodriguez compartilha sobre os oito anos que viveu em terapia de conversão da homossexualidade e como essa realidade segue mais perto do que imaginamos ainda hoje. Sensível e profundamente marcante.

Brincando (e organizando) o caos

Habitica é um app para quem ama listas, organização e um pouco de gamificação. Aqui, cada um constrói seu avatar e ganha pontos ao completar tarefas do dia a dia, seja ir à academia ou lavar a louça acumulada. Com os pontos é possível incrementar seu 'bonequinho', adquirir um mascote e até enfrentar 'monstros' com seus amigos.

Um olhar que transborda Brasil e cor

Não estamos falando desse reels sobre como cor é linguagem, resistência e identidade no nosso país, estamos falando da exposição Transbordar o Mundo: Os Olhares de Tarsila do Amaral, em Brasília. Uma imersão na obra de uma das artistas mais importantes do modernismo brasileiro com diferentes camadas do olhar de Tarsila.
Onde: Centro Cultural TCU, St. de Clubes Esportivos Sul Trecho 3, Plano Piloto, Brasília.
Quando: até 10 de maio.

Para ficar um pouco mais

Bocado Centro, no Rio, é um daqueles lugares que convidam a desacelerar. O restaurante fica dentro de um centro gastronômico estabelecido no antigo complexo da Granado, o Mercado Central RJ na rua do Senado, cep que tem causado burburinho no cenário cultural.
Com pratos bem pensados e uma atmosfera que equilibra simplicidade e cuidado, é o tipo de endereço que você descobre e quer voltar. Com noites de vinhos naturais e ostras e almoços com arroz cremoso e galeto, a proposta agrada vários gostos e paladares.
Onde: Mercado Central RJ, R. do Senado, 48, Rio de Janeiro
O perfume que você escolhe diz menos sobre o que você gosta. E mais sobre quem você quer ser.
A perfumaria entrou na era do storytelling — e nenhuma categoria da beleza traduz melhor o desejo de construir uma narrativa pessoal do que a de fragrâncias.
Tem algo curioso acontecendo com a forma como a gente compra perfume. Segundo uma pesquisa da Unilever, 56% da Geração Z já comprou uma fragrância sem nunca tê-la cheirado, só pela história que ela conta online. No TikTok, o #PerfumeTok ultrapassa 5,2 bilhões de visualizações. Nas ruas de Nova York, marcas abrem lojas que parecem mais instalações de arte do que pontos de venda.
O produto não mudou. O que mudou foi o que as pessoas buscam nele.
A perfumaria sempre teve uma relação íntima com a memória — o cheiro que leva de volta à infância, a fragrância que marcou uma primeira vez, o perfume da mãe que você não consegue mais sentir sem voltar no tempo. Mas agora essa intimidade virou linguagem pública. As pessoas não só usam perfume: elas contam o perfume que usam. E ao fazer isso, constroem uma narrativa de si.
É nesse contexto que uma prática antiga ressurge com força nova: o layering. A arte de sobrepor fragrâncias — antes restrita a rituais do Oriente Médio ou ao universo dos entusiastas — virou o gesto de autoria mais falado da categoria. E não, não é sobre usar mais perfume e sim, sobre usar o seu perfume: uma combinação que não existe em nenhuma prateleira, porque foi composta na sua pele, para o seu corpo, para o seu dia.
O Business of Fashion recentemente apontou o layering como uma das mudanças mais definidoras da perfumaria atual, inclusive com o surgimento de uma nova classe de fragrâncias, os "primers", pensados para sentar embaixo e amplificar outros aromas. A lógica é a mesma do styling: você não veste peças aleatórias, você constrói um look com intenção.
COMO DE ENTRAR NO LAYERING COM NARCISO RODRIGUEZ
Poucas marcas traduzem esse espírito tão naturalmente quanto Narciso Rodriguez. Desde o lançamento de For Her, nos anos 2000, a maison fez do musc uma linguagem — quente, limpa, envolvente. É exatamente esse "coração de musc" compartilhado entre os perfumes da linha que torna For Her tão receptiva ao layering: as composições dialogam entre si com uma harmonia que parece instintiva.
Comece usando o Pure Musc como base (ele funciona como uma “pele limpa”, macia e luminosa que prepara o terreno para outras fragrâncias). A partir daí, aplique um segundo perfume por cima, escolhendo de acordo com o efeito que você quer criar. A mágica está justamente nessa sobreposição, onde o musk envolve a nova fragrância e transforma o encontro em uma terceira assinatura, única e pessoal, que muda sutilmente a cada combinação.
Três formas de experimentar:
01. Combine For Her Pure Musc com For Her Eau de Toilette para intensificar o bouquet floral e trazer mais sofisticação.
02. Combine For Her Pure Musc com For Her Eau de Parfum Intense para intensificar o coração de amíscar e as flores brancas solares e trazer mais intensidade.
03. Combine For Her Pure Musc com For Her Musc Nude, para amplificar o coração de musc com uma faceta solar e mais brilho.
O que une as marcas que mais crescem na categoria é a confiança que constroem em torno de uma narrativa. As pessoas não compram o perfume, compram a história que ele carrega. E, cada vez mais, a história que ele permite que elas contem sobre si mesmas.
No fim, sobrepor fragrâncias é sobrepor camadas de si. A verdadeira assinatura não está no frasco, está na forma como a fragrância habita quem a usa.

Nossa criadora e curadora Beatriz morou em Londres por mais de oito anos e, ao visitar este mês, selecionou os seus restaurantes favoritos da temporada.
Confira o guia completo em breve no nosso Instagram.

Eu e meu jornal no Mazi
Phoenix palace - Sou viciada em dim sum e é no phoenix palace que eu mato o meu desejo; em Marylebone, considero lá ideal para um jantar ou almoço despretensioso e bem tradicional.
Mount St - se você quer juntar dois programas em um, indico muito tomar uns bons pints no icônico The Audley, em Mayfair, e depois ir jantar no Mount St. Restaurant no primeiro andar do mesmo prédio. Ali, a cozinha britânica moderna encontra uma galeria de arte disfarçada de restaurante - o espaço integra arquitetura, arte e design de forma que mais de 200 peças, assinadas por Andy Warhol, Henri Matisse, Lucian Freud, Philip Guston, Peter Fischli e David Weiss, dividem protagonismo com o menu. PS: prove a lobster pie.
Dinings - Disparado o melhor sushi em Londres, sempre levo amigos, além de ser o spot de date com o maridon. Nasceu em 2006, pelas mãos de ex-chefs do Nobu e tem como proposta aquela fusão que funciona de verdade: tradição japonesa com técnicas europeias modernas, sem forçar a barra. É o tipo de japonês que não tenta ser reverente demais, mas entrega uma experiência world class sem fazer alarde.
Mazi - Sempre fui, levo todo mundo e continua sendo um dos favoritos porque não cai em qualidade e nem sabor ao longo do tempo. Ele fica em Notting Hill desde 2012 com uma missão simples: mostrar pro mundo que comida grega pode ser inovadora, refinada e absurdamente saborosa. O nome significa "juntos" em grego, e é exatamente isso que eles fazem — revivem a tradição de compartilhar à mesa, aquela coisa de pedir vários pratos, todo mundo experimentar tudo, conversa boa rolando solta.
Bao - Se você ama o bao taiwanês tanto quanto eu, precisa conhecer o Bao. São vários endereços, mas o original fica no Soho, e por nove anos seguidos eles seguraram o Michelin Bib Gourmand. O meu favorito é o clássico pork bun, igualzinho ao original de Taipei, mas tem outras pedidas matadoras. Não tem uma vez que não vou lá.
Muito, muito popular, aqui os caras são feras tanto em cafés e pastries quanto no menu mais elaborado. O Don't Tell Dad, é aquele bakery de bairro onde todo mundo é bem-vindo e vale tudo — cozinha aberta, bar animado, serviço charmoso, comida e bebida de verdade. A inspiração vem de irmãos arteiros que sabiam aproveitar os momentos da vida, que acreditavam que um pouco de confusão deixava tudo mais gostoso e que as melhores memórias sempre começavam com "não conta pro pai".

Don´t Tell Dad



